16 de fevereiro de 2011

Plena a noite de terça.
Um sussurro amornado vem dos bares de longe. Risos abafados; agonizam em seu caminho às alturas. De cima, complacente, uma lua crescente; nuvens finas em desalinho, inquieta cabeleira de criança-mulher, caem-lhe pela face azul.
Numa janela, num andar alto, acende uma luz. A cortina vive. Surge num canto um espectro. É uma senhora. Sei que já nao tem cabelos pretos, sei que é insone, posta a hora, quase duas da noite. Ela olha em direçao àqueles bares de longe. Já nao escuta bem as gargalhadas que saem dos copos. Mira os céus. Já nao vê bem um brilho nos olhos da lua. Embaçou o tempo. É um espectro. Dança a cortina na bruma. A cortina morre. Agonizante como o som que vinha das mesas distantes, a luz se dissolve para dentro do apartamento: o extraordinário some, no escuro da janela qualquer.
Na janela qualquer abaixo, uma jovem loira espia o futuro no brilho dum computador.