14 de dezembro de 2010

N'hoje o amanha começou assim.
Um mendigo e uma nota de cinco reais. Era tarde, já, o passo e a remada. D'longe.
E disse que era pro Natal. Só uma.
Só hoje.
Rua abaixo três sorrisos.
Já tinha começado. Era.
Que espere o céu.
Um ataque de silêncios.
O mudo de todo lado.
Nao, prosa, nada falado.
Terra de loucos.
O diabo disse nao
O céu pode esperar.

3 de dezembro de 2010

MAI Ô MENO SETE I QUINZE. A CASINHA NUM ERA LÁ GRANDE COISA.

- Ô José, tu amô ôji?
- Ah, nem que num tive tempo. Trabai demais, sá'cumé?
- IIIII, sei nao que eu amei.
- E num trabalhô nao, visse?
- Só trabalhei o que dueu.
- Maria, tire a rôpa vá, que vô te mostra. Ói aqui nessa ponta, ondié que ele começa, o amô.
- Ah! José arrumado esse meu. Num vê que eu cansei, homi?
- Tá veno, que gastar o amô inteiro dá nisso.
- Mai homi, e quem disse? Me sobra um'a vontade de trabalhá em ti. Péra!