29 de setembro de 2010
S.L.U.
Já, faz 35 minutos que o dia começou.
Nao consigo dormir.
A lua lá fora está acesa.
Algum carro passa. Um ônibus.
O barulho das vassouras é ensurdecedor.
A equipe chegou há pouco.
Três ou mais, homens, mulheres, já nao sao jovens.
A madrugada de terça-feira é dos vagabundos.
Esses que vagam e se imundam limpando a sujeira do mundo.
Eles varrem e eu nada mais posso fazer.
Posso fazer? O quê? Dormir?
E acalmar a veia estufada que me arde no olho lá dentro.
Descançar os ouvidos desse som terminal de vassoura.
Um outro ônibus. Desce outro vagabundo. Está de farda. Também trabalhando.
Agora faltam cinco minutos para que se complete a primeira hora.
A primeira hora do dia que, eu, ainda vou viver.
E quando descer para a rua, me lembrarei destes vagabundos?
Ou sao imagens do escuro da noite?
Lembrarei deste amargo e fantástico barulho de vassoura?
Desse azedo que entra em olho fechado e arde a veia ainda mais?
Ou sujarei ruas com descaso.
Um próprio descaso.
Ou jogarei no chao papéis atribuídos.
Papéis do cidadao.
No chao.
Olho da janela, eles já se foram. Para outras ruas. Trabalhar.
Tá tudo limpo lá embaixo.
Tudo pronto para a manha.
Agora, nem mais barulho.
Tá tudo limpo lá embaixo.
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