24 de junho de 2010

Festa de Santo

Era pelo meio do ano, um dia azulzinho de frio. Quando o sol foi se deitar e o firmamento escureceu, dois dos Santos se estranharam.
Era tempo de festa, quando o pouco que se tem vira balão e bandeirinha. E toda a gente que dança e canta, se amontoa na fogueira lambe-estrela.
E no meio de tanto e tudo, lá tava Maria. Bonita de sonho como moça nova, quem olhasse se enrolava, se sentisse tonteava.
Era vista e passo. A cada um, um compasso. E a festa ia. E tinha Pedro tinha Antônio mas Maria era uma só.

Pedro via, Antônio sentia. Maria.
Pedro era no chão, Antônio era no céu. Pedro Ouro. Antônio Vento. Antônio era pra todos. Pedro era pra um. Antônio não via Pedro. Pedro não sentia Antônio.
E Maria era uma só.
Muito amor, muita promessa. Muito sonho, muita pressa.
E Maria era uma, só.
João que festejava, não media, não parava, no que tinha ou desejava, foi até o sanfoneiro, pediu moda de terreiro, se entregou foi por inteiro.
Sem amor ou sem dinheiro, João e Maria se entenderam.